Investimento em Arte

April 14th, 2014 § 0 comments

Investimento em Arte

A equipe da Art Options lê diariamente as principais publicações de arte e mercado de arte e não deixa de notar uma vasta contradição nas opiniões publicadas sobre o tema de investimento em arte. De acordo com Melanie Gerlis, a autora de Art as an Investment “Existe a chance de ganhar dinheiro com a sua coleção, e uma chance maior de que você não ganhará; a diferença é sobretudo sorte. Equacionar um ativo popular com um ativo lucrativo é enganador.” (Melanie Gerlis, Financial Times, 13/01/2014).

Financial Times

Já os fundadores do Sell You Later, publicaram no site ArtSpace.com, em 13/02/2014, uma entrevista da qual extrai a seguinte passagem: “Nós desenvolvemos um algoritmo para um fundo de arte emergente em 2012. Esse algoritmo facilitou 4200 por cento de retorno no investimento num período de 16 meses.”

Artspace

Certamente a intervenção divina que nós todos esperávamos com tanto ardor, amantes das artes ou não, para podermos parar de trabalhar… Bricandeiras a parte, em quem os leitores e interessados em arte como investimento devem acreditar? Quais são as evidências a favor e contra? A equipe da Art Options foi entrevistada recentemente pelo programa Mundo do Dinheiro da Revista Exame comentando o assunto. Tentamos esclarecer a contraditoriedade entre as opiniões e comentar algumas das evidências no tema.

Exame

Esperamos que a reportagem tenha sido esclarecedora, mas resolvemos escrever esse artigo para complementar e deixar nossa posição clara com otimismo cuidadoso e lucidez. Um dos importantes pontos de discórdia vem da interpretação dos dados apresentados pelos fundos de arte. “Fundos de arte, como hedge funds, geralmente liquidam somente os ativos que valorizaram, enquanto seguram aqueles cujos valores se mantiveram ou declinaram. Retornos reportados portanto dão um retrato particularmente otimista do status do fundo.” – comentou o artigo de 2011 publicado pela ArtNet mas ainda relevante atualmente. Essa problemática é frequentemente ignorada entre os entusiastas por fundos de arte.

Artnet

De fato, depois de analisar mais de 40 fundos de arte, a equipe da Art Options notou que investimento em arte, em escala institucional, praticamente não tem histórico de sucesso. No entanto, perguntamos, é o caso de condenar investimento em arte como um todo? Acreditamos que não. Se a motivação for exclusivamente financeira, existem investimentos tradicionais que são mais simples de gerir e que comportam um volume de capital maior. No entanto, se a motivação financeira for combinada ao interesse pela cultura e satisfação pessoal, arte se torna um investimento atraente, especialmente para uma geração onde os indivíduos de alto patrimônio definem uma vida completa como ideal de riqueza.

O sucesso no investimento em arte depende de uma mudança de paradigma significativa pois a chave para acertar nas escolhas não é a análise financeira, e sim a praticada por colecionadores experientes em todo o mundo, inclusive no Brasil: a artística. Investir em arte sob critérios como volatilidade, resiliência, correlação e retorno anual composto representam um pensamento financeiro. Seria um investimento engenhado com base em indicadores que não pertencem ao universo da arte, e portanto um erro de aplicação.

Um erro equivalente seria, numa reversão dessa aplicação investirmos no mercado financeiro com critérios artísticos como a análise do processo criativo, da pesquisa por referências, da qualidade dos relacionamentos. Os retornos seriam igualmente desencorajadores. Pensamos que é por isso que o investimento em arte praticado por muitos dos fundos que analisamos foi mal sucedido. Propomos que o investimento em arte seja balizado pelos parâmetros da própria arte com um compromisso com a arte e não com o retorno. Isso sim gerou e pode vir a gerar retornos significativos a longo prazo.

Abordaremos essa perspectiva em mais detalhes nos nossos próximos posts.

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    Passionate about both art and entrepreneurship, the art dealer João Correia founded two companies: Collezionista, an art advisory firm based in São Paulo, and, I Know What I Like, a contemporary art debate society based in London. He also writes regularly to the media and to this personal blog in English and Portuguese languages.
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    João,

    O seu trabalho de orientação de artistas é único, sério e amplo. Tornou-se o melhor investimento que eu já fiz pela minha carreira.

    Cibele MottaArtistaArtista
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      Entusiasta tanto por arte quanto por empreendedorismo Joao fundou duas empresas. Collezionista, uma consultoria de arte sediada em São Paulo, e, I Know What I Like, uma sociedade de debates de arte contemporânea sediada em Londres. João também escreve regularmente para mídia e para esse blog pessoal em Inglês e Português.