Porque não temos um Ai Weiwei no Brasil?

August 6th, 2015 § 0 comments

Ai Weiwei


Grupo de estudantes de arte pensa coletivamente e tenta responder essa pergunta. Veja principais pontos de reflexão abaixo.

Por João Correia
03/08/2015

No dia 28 de julho, a agência de risco S&P manteve a nota do Brasil, mas com ‘ameaça’ de corte (UOL). Ontem, a polícia federal prendeu José Dirceu (Valor). Sem entrar em detalhes, pois deles a imprensa já está cheia, não dá para descartar que estamos de fato, num periodo tenso da economia e da política nacional.

Nesse contexto, estudar um artista como o Ai Weiwei, que tomou para si a responsabilidade de contribuir com a sua vida e o seu trabalho para a mudança do quadro político do seu país, foi inspirador.

Resta a pergunta: porque não temos um Ai Weiwei, digo, um popular agente de mudança, por aqui também? Alguém que, assim como ele, represente a população brasileira e desafie o governo?

O nosso grupo refletiu sobre essas questões no ultimo encontro. Chegamos coletivamente, aos seguintes pontos:

1) unanimidade: é mais fácil produzir um ícone de reistência num contexto onde há uma batalha unânime (governo opressor chinês)? Me pergunto se a batalha contra a corrupção no Brasil não é unânime o suficiente.

2) estética: seria mais efetivo denunciar horrores com obras estéticamente envolventes? Houve consenso de que a forma para um conteúdo sofrido pode ter mais alcance se não for sofrida.

3) ação: basta comentar e representar ou precisa agir também? Avaliamos que se o público prestigiar os artistas cuja atuação vá além de comentários, teremos mais, e melhores, intervenções por aqui.

4) público: e o público, o que podemos aprender com os apoiadores do Ai Weiwei? Concordamos que, assim como os Chineses, podemos ficar atentos para fazer melhor o nosso papel como público investimendo nossa participação com consciência.

5) papel da arte: a arte pode de fato trazer alguma mudança política? Enquanto é comum achar que as duas esferas não se misturam, ou que a cultura atua num campo menos concreto, analisando a trajetória do Ai Weiwei ficou claro o contrário.

6) arte e ativismo: o ativismo dá função a arte e compromete a sua apreciação? Não, o grupo pareceu concordar que uma função, desde que a maestria estética seja mantida, pode dar um necessário sentido a produção artística.

Espero que quem não tenha vindo se beneficie das reflexões listadas acima e participe comentando remotamente também.

E agora, para onde vamos daqui? Para o próximo encontro!

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    Passionate about both art and entrepreneurship, the art dealer João Correia founded two companies: Collezionista, an art advisory firm based in São Paulo, and, I Know What I Like, a contemporary art debate society based in London. He also writes regularly to the media and to this personal blog in English and Portuguese languages.
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      Entusiasta tanto por arte quanto por empreendedorismo Joao fundou duas empresas. Collezionista, uma consultoria de arte sediada em São Paulo, e, I Know What I Like, uma sociedade de debates de arte contemporânea sediada em Londres. João também escreve regularmente para mídia e para esse blog pessoal em Inglês e Português.