Uma Realização Prematura do Potencial da Arte

January 21st, 2015 § 0 comments

Uma Realização Prematura do Potencial da Arte

“Ele bebia terebintina na mamadeira” – comentou um dos amigos do meu pai..

Entendendo os meandros da arte durante a infância

De fato, quando alguém nasce em uma família de entusiastas por arte há gerações, a vida fica populada com pequenos eventos artísticos que formam a soma de uma existência onde a arte protagoniza.

Engatinhar em galpões cheios de material artístico, escalar uma pensa de gravura para verificar se a qualidade da impressão está adequada aos quatro anos de idade ou ir fazer compras de kilos e kilos de pigmento com o avô foram apenas algumas das minhas rotinas quando criança. Além disso, nós chegamos a fazer o nosso próprio papel manual e revelar fotos de pinturas nós mesmos no nosso laboratório de fotografia.

Joao C @ Artist's Studio

Até mesmo pequenos eventos do dia a dia, como cozinhar, tinham suas próprias implicações artísticas. Eu me lembro consistentemente do meu pai e avô trazendo ingredientes normalmente usados para fazer bolo, mas usando eles para tentar alcançar a alquimia que os pintores da renacença empregavam na mistura de pigmentos e preparação de tinta.

Conversas nunca eram triviais; elas sempre terminavam num debate vibrante sobre uma posição política ou um movimento artístico específico com visitantes de todas as disciplinas da vida. Nossa rede de amigos e conhecidos incluia escritores, políticos, cientistas e empresários. O que parecia natural na época parece incrível hoje: conversas fluiam de encontros com figuras políticas como o ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, e meu avô se referia em primeiro nome a personalidades como Fidel Castro, Diego Rivera, Julio Cortázar, Sebastiao Camargo, e Henri Cartier – Bresson. Me lembro também de ouvir e conhecer o lendário escritor de arte francês Jean Leymarie e não há dúvida que ter crescido nesse contexto ajudou a pavimentar o caminho que eu seguiria quando adulto.

Não é preciso dizer que, quando eu chegava em casa da escola, e a lição de casa envolvia redações com ilustrações ou preparação de maquetes – toda a família aproveitava a oportunidade de contribuir para o resultado final. Longas noites foram gastas com as mãos de três gerações trabalhando duro para executar ilustrações solicitadas por professores inoscentes, que esperavam nada superior em criatividade do que os homens palitos que as crianças tipicamente desenham.

E foi assim que eu acabei fazem quadros desde os sete anos de idade. Mas ser um artista não me pareceu o suficiente. Eu ganhava o dinheiro que eu gastava na cantina da escola vendendo minhas obras de arte infantis para as pessoas, e isso me levou a apreciar não somente o valor cultural da arte que eu via no dia, mas também, a realização precoce do potencial da arte como negócio.

Se tornando criativo também no comércio de arte

E foi aí que o lado da minha mãe na família veio a fazer parte do quadro. A família dela fundou uma casa de leilões em São Paulo em 1979, quando eu tinha apenas 3 anos de idade. E, mesmo se eu cresci testemunhando como era a vida no negócio familiar, eu não me envolvi com o comércio de arte até os onze anos. Nos estávamos produzindo até 5 leilões por dia; e lá estava eu, negociando pinturas, apresentando elas para os clientes, assistindo o leiloeiro, ajudando com a contabilidade do negócio. Pinturas de figuras icônicas da arte Brasileira como Tarsila do Amaral, Bonadei, Portinari, Flavio de Carvalho e Alfredo Volpi foram vendidas nesses eventos, e eu estava cercado por elas diariamente.

Uma vez, uma falta de luz interrompeu o acontecimento de um leilão, mas isso não interrompeu uma negociação na qual eu, ainda jovem, fechei um negócio com um colecionador no escuro. Aos 17 anos, eu já tinha poupado $50,000 USD dos lucros das minhas atividades com leilões, e nessa época eu sabia que o que eu queria fazer era ser um empresário nas artes.

Eu gostaria de poder reinvindicar autoria completa nessa genial tomada de decisão. Mas eu não posso. Meu avo já tinha, repetidamente, falado como o mercado de arte no Brasil era cheio de furos, com um bom Gruyere. Um desses furos era a falta da existência de empreendedores nas artes capazes de promover e vender as maravilhas artísticas sendo feitas pelos artistas… e então, foi fácil para mim, juntar dois mais dois.

Como um bom Gruyere, vários anos de aprendizado depois, aqui estou eu.

Sem juízo 7

 

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    • Introduction

      Entusiasta tanto por arte quanto por empreendedorismo Joao fundou duas empresas. Collezionista, uma consultoria de arte sediada em São Paulo, e, I Know What I Like, uma sociedade de debates de arte contemporânea sediada em Londres. João também escreve regularmente para mídia e para esse blog pessoal em Inglês e Português.