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A importância das feiras alternativas no mercado de arte

A importância das feiras alternativas no mercado de arte

As feiras “blockbuster”, como a de Miami, parecem ter perdido a vocação inicial, enquanto as feiras menores se tornaram vitrines da produção artística

por João Correia — publicado 07/01/2014 11:16, última modificação 07/01/2014 12:01

O mundo possui hoje 189 feiras de arte que acontecem anualmente, segundo dados da Art Vista. Trata-se de uma atividade que movimenta boa parte do faturamento total de 55 bilhões de dólares por ano do mercado de arte global (ArtPrice).

No Brasil há duas feiras de arte estabelecidas que, embora recentes, adquirem crescente importância: a SP-Arte e a ArtRio. Proporcional à sua relevância mundial e pouco tempo de existência, essas duas feiras tem atingido sucesso considerável, o que mostra que a febre das feiras chegou por aqui para ficar.

Como entusiasta das grandes feiras internacionais – oportunidades únicas para apreciação de uma enorme variedade de arte reunida num mesmo local – eu nutria grandes expectativas quando peguei o avião em direção a Miami para a abertura, em 4 de dezembro, da Art Basel Miami Beach, um dos principais acontecimentos no universo da arte contemporânea.

A filial de Miami Beach da Art Basel está dentro de uma agenda mundial que reúne mais de uma dezena de eventos comparavelmente do mesmo porte. São três sedes: Suíça, Hong Kong e Miami, que acontece há 11 anos (na matriz, a Suíça, ela existe há 43 anos).

Inicialmente espaços não só de negociação mas de apreciação de arte, poderia se dizer que as feiras de arte se assemelhavam a algumas bienais, ou assim eu me lembro das minhas primeiras visitas à feira de Colônia, na Alemanha, no começo dos anos 2000.

No entanto, quem visita Art Basel Miami Beach encontra hoje dificuldade em apreciar a exposição. As filas, as multidões e complicações logísticas, a quantidade e variedade de arte a mostra, a agenda de eventos: tudo compete pela atenção do visitante e torna a experiência uma verdadeira maratona.

Como resultado, acabamos tendo poucos momentos de apreciação da arte com a devida introspecção, o que me fez deparar com uma reflexão inesperada: teriam as feiras blockbuster perdido um pouco da sua vocação inicial como ponto de apreciação e compra de arte?

É inegável que os recordes de vendas continuem acontecendo, mas paralelamente notei que a atividade principal durante a Art Basel Miami Beach termina por ser a participação de eventos, o início de novos contatos, as conversas com amigos e profissionais das artes, entre outras valiosas distrações. Mas muito brevemente a apreciação da arte em si.

Originalmente uma excelente oportunidade de garimpo de novos nomes de artistas e curadores para pesquisa e acompanhamento, o prazer da descoberta na maioria das feiras que compareci em 2013 ficou reservado às feiras satélites como a Feira Liste, na Suíça, a Feira Nada, em Miami, e a Feira Parte em São Paulo.

A proposta não lucrativa da Nada (New Art Dealers Alliance), uma das 19 pequenas feiras realizadas simultaneamente à feira principal em Miami, junto ao excelente time na sua diretoria (das galerias White Columns, James Fuentes e Gavin Brown’s Enterprise) de renomado compromisso com a inovação na cena Nova Iorquina a tornaram o destaque dessa semana em Miami.

Nela encontrei um ambiente ideal para descoberta, apreciação e identificação de obras que pareciam antecipar tendências e abrir as possibilidades da arte contemporânea. Terminei por encontrar numa feira menor a atmosfera fértil e intimista que inicialmente motivou a minha ida a cidade.

Certamente vale continuar comparecendo as grandes feiras em 2014, mas definitivamente recomendo aos visitantes e entusiastas de arte em geral que não percam de vista as feiras alternativas para acompanhar os novos rumos da ousada produção artística contemporânea.

João Correia estudou gestão no Sandler Institute e História do Mercado de Arte no Sootheby’s Institute of Art de Londres e é sócio-fundador da Art Options, empresa de consultoria de arte sediada em São Paulo

 

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    Passionate about both art and entrepreneurship, the art dealer João Correia founded two companies: Collezionista, an art advisory firm based in São Paulo, and, I Know What I Like, a contemporary art debate society based in London. He also writes regularly to the media and to this personal blog in English and Portuguese languages.
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      Entusiasta tanto por arte quanto por empreendedorismo Joao fundou duas empresas. Collezionista, uma consultoria de arte sediada em São Paulo, e, I Know What I Like, uma sociedade de debates de arte contemporânea sediada em Londres. João também escreve regularmente para mídia e para esse blog pessoal em Inglês e Português.